Juro que para agüentar a tentação de baixar o filme inacabado foi muito difícil mas resisti bravamente pois se existia um personagem solo da Marvel que eu queria ver um filme, este era Wolverine, sem dúvida. Este personagem está tão arraigado na minha cultura pessoal que até tive um gato com esse nome, para se ter uma idéia.
Eu acompanho o personagem desde os idos do final da década de 80 quando o argumentista John Byrne o fez esse cara com o charuto no canto da boca, pouco se importando com qualquer coisa. Quando saiu o primeiro filme dos X-Men e o até então desconhecido Hugh Jackman personificou perfeitamente o personagem, sempre ficou na minha cabeça que um filme solo seria uma ótima idéia. Aparentemente não fui só eu. Jackman sempre se disse grato ao personagem que o lançou para o mundo e que faria de tudo para não só fazer um filme solo do Wolverine mas como fazer um fiel às origens. Como não acompanho mais gibis desde 93, não tenho como precisar se isso foi verdade, mas o que posso dizer que é um excelente filme de ação.
O filme faz o que o título se propõe; conta a origem do Wolverine, mostrando qual é a relação entre Wolverine e Dentes-de-Sabre e como ele se tornou a Arma X. Não vou nem desenvolver mais para não ser acusado de spoiler ou algo assim.
O filme superou as minhas expectativas. Eu não li os gibis Origens do personagem mas posso dizer que sei relativamente bem de seu background e que não faltam são referências ao que Wolverine viveu nos quadrinhos. Adorei por exemplo quando ele soltou a frase de abertura da mini-série Wolverine, escrita e desenhada por Frank Miller (”Eu sou o melhor no que faço, mas o que faço, não é nada agradável).
Jackman domina o personagem. Ele é o Wolverine e isso não resta a menor dúvida. Dá para sentir a raiva e frustração através de sua interpretação. Com ele, Liev Schreiber também cai como uma luva como Dentes-de-Sabre. Como ambos são amigos na vida real, a dinâmica dos dois em cena ficou ótima.
Por mais que o filme tenha vários elementos da mitologia do Wolverine, ele não é 100% fiel aos quadrinhos. Gambit aparece, Maverick não era oriental e outros detalhes. Isso de qualquer forma não afeta em nada o ritmo do filme, pelo contrário, A ação é constante e muito bem coreografada.
Sinceramente não vi nenhum defeito no filme. Faz o que se propõe contanto a origem do Wolverine, o mostra em ação constante inclusive usando as garras como nunca antes havíamos visto e ainda ajuda na mitologia mutante. Se você entrou no cinema para ver um filme de herói, vai sair plenamente satisfeito com o resultado. Ahh! E não saia do cinema antes dos créditos finais. Tem uma ceninha que irá agradar aos fãs do personagem mas será sem graça para quem não acompanhava os gibis. De qualquer maneira, tá incluso no preço do ingresso.
Se você assistiu a versão inacabada, corra para o cinema e veja os efeitos terminados e os 20 minutos a mais de filme. Prometo que vale a pena.

[UPDATE] À título de curiosidade, Wolverine é um animal existente das florestas canadenses e em português tem o nome nada sonoro de Carcaju (ou Glutão). Ele é famoso por ser agressivo contra animais muitas vezes bem maiores que ele, atacando até ursos.
O renomado site Rotten Tomatoes publicou um Top 20 dos filmes da Marvel que chegaram ao cinema. Apesar do Wolverine não ter sido tão bem avaliado por eles, ainda assim é interessante relembrar clássicos como bombas que saíram dos quadrinhos para as telas.
Top 20 de filmes da Marvel segundo o Rotten Tomatoes.