Sat 20 Jun 2009
Acho que esperei a minha vida inteira para ver uma série de ficção científica espacial como esta. Levei um tempo para assistir pois ainda estava com o ranço da série antiga que talvez por causa da cara do Dirk Benedict, que para mim será sempre o Cara-de-Pau do Esquadrão Classe A. Sem contar que quando assiti a série antiga, me deu uma raiva por ser um Guerra nas Estrelas mal-feito. Com isso, só comecei a assistir seriamente depois de muita insistência da amiga Nix agora no início da última temporada. E depois que comecei, para parar foi quase impossível. Devorei as quatro temporadas e mais as mini-séries em menos de 3 meses sendo que a 4a temporada, foi-se em 2 semanas tamanho o interesse em saber que fim levava a série.
Não me lembro o enredo da primeira e talvez seja até melhor assim. Essa versão começa com os cylons, agora todo remodelados, bem diferentes daquele que me lembrava dos filmes dos Trapalhões, mandam Caprica pelos ares assim como as outras colônias, forçando uma fuga do pouco da cilivização que restou. Como se não bastasse isso, os cylons agora tem um modelo 2.0, humanóide perfeito que torna a desconfiança palpável no ar. Vagando pelo espaço à procura de uma nova “casa”, o que restou da civilização é protegida pelo único cruzador espacial que restou; a boa e velha Galactica que estava para ser aposentada (até por isso foi a única que sobreviveu) enquanto os cylons querem exterminar a raça humana.
Por que Galactica é tão boa? Para mim, pelo mesmo motivo que Guerra nas Estrelas (os originais) foi bom, deixa de lado a preocupação frenética de explicar tecnologia e foca seu enredo em um leque de temas bem interessantes; até onde a democracia ajuda? Conflito Religioso? Uma vez inimigo, inimigo sempre? Até onde sigo o meu líder? Amor supera tudo? Claro que permeando isso temos uma boa dose de ação espacial, mortes e sexo. Pois é, esse seriado não é infantil nem nos poupa visualmente de quase nada. Se alguém toma um tiro, está ali o sangue que jorra. Se um bebê especial tem que nascer, bem… Como ele é feito também aparece ali na tela. E se você acha que para ser adulto tem que ter palavrão, nada tema, se a TV não permite, que tal inventar um? “Frak” foi a forma criativa que os roteiristas encontraram de transformar militares “boca-sujas” em algo que a censura não reclamasse. Um artifício brilhante.
Para uma série de ficção funcionar, por mais que você seja complacente, os efeitos tem que ter uma certa qualidade e neste ponto, a série é impecável. Talvez o fato brilhante fato de optar pela versão “humanóide” dos cylons tenha economizado uma parte do orçamento mas as batalhas espaciais, assim como os centuriões (a versão robô dos cylons) estão perfeitas, assim como os sets e naves. Detalhe interessante também foi abrir mão de lases por projéteis, tanto em pistolas como nos caças. Isso dá uma veracidade maior e um ar de guerra mais intenso. Junte a isso a forma com que a câmera se comporta, quase no estilo documentário e é garantido que depois do segundo episódio você já está dentro do ambiente sem sombra de dúvida. Não vai se questionar nem por um segundo sobre alguma tecnologia ou algo assim.
De nada adiantaria um primor técnico se as atuações fossem fracas. Liderado por Edward James Olmos (indicado ao Oscar em 1988 por O Preço do Desafio) o elenco está ótimo, mesmo quando as vezes tem determinados papéis estereotipados como o caso de Starbuck, que começa a série como a típica piloto rebelde porém super talentosa mas que ao longo da série se torna peça fundamental para a salvação da humanidade.
É muito difícil terminar uma série tão boa quanto essa mas o fato dos produtores terem decidido o fim antes do início da última temporada acabou ajudando aos roteiristas, que não precisaram correr com a história e puderam assim oferecer um ótimo fechamento, mesmo que as últimas cenas do último episódio tenham soado um pouco pieguas. De qualquer maneira, não foi nada que maculasse a qualidade do roteiro, a verdadeira espinha dorsal da série inteira.
Para os órfãos da série, nada temam! Além do piloto de 2 horas do seriado Caprica (onde mostra a colônia de mesmo nome 50 anos antes da Queda) que foi lançado há alguns meses atrás, em novembro todos os personagens retornarão para um filme para a TV de duas horas, dirigido por ninguém menos que Edward “Adama” Olmos chamado Battlestar Galactica: The Plan onde será mostrado o ponto de vista dos cylons em Caprica, antes da Queda. O trailer já está disponível no YouTube. Isso sem contar que não duvido se em breve edições limitadas da série completa comecem a pipocar por aí. Como diria Adama: So say we all!
Trivia Movieblog:

Vocês sabiam que apenas 1 ator participou das duas versões da série? Em 1978, Richard Hatch fez o papel do Capitão Apollo. Já nesta nova versão, ele foi o político sem escrúpulos Tom Zarek. Ao lado está a a foto dele com Richard Benedict, o Starbuck de 1978.
UPDATE: eu não sabia mas aquele murmurinho da abertura de cada episódio na verdade é um mantra. Aqui está a tradução (em inglês).
June 21st, 2009 at 4:41 pm
Cara, eu concordo com cada palavra e cada vírgula do seu texto! Também tinha uma certa desconfiança quanto a esta série, apesar de não ter lembrança ruim da série anterior (só a memória de que eram naves duelando sem muito enredo por trás).
Acho que o grande lance é mostrar uma história HUMANA, tendo o espaço apenas como pano de fundo. E é feito com tal credibilidade que consegue te convencer que existem naves por aí capazes de saltar entre sistemas solares.
Aguardo ansiosamente pelos spin-offs de BSG
June 22nd, 2009 at 12:29 am
Comentário nada a ver… mas vamos lá!
Eu não lembrava se você tinha publicado review de Sete Vidas (com Will Smith), vim procurar no histórico e não achei… acabei então alugando o DVD. Confesso que não gostei muito, apesar das críticas por aí falando bem. Queria saber suas impressões.
E tb queria que vc falasse de O Menino do Pijama Listrado. A crítica desceu a lenha mas eu gostei. Ando meio sem saco para filmes de Holocausto (são tantos todo ano que estão conseguindo banalizar o assunto) mas esse tem um ponto de vista beeem diferente. E o final surpreende, gosto de ser pega de surpresa. Sabe quando você tem certeza que algo vai acontecer no roteiro para evitar uma tragédia iiminente mas isso não ocorre?
Acho que não tenho combinado muito com a crítica hehehehe!
P.S.:Estou te devendo o email sobre o VVV. Mando até ananhã
December 12th, 2009 at 9:09 am
Sim, um remake que deu baile de realismo contra a original. Porém faltaram contatos com outros seres (mesmo com tantos jumps em espaços e tempos). A explicação para a gravidade artificial seria bem vinda, e premiar Baltar com imortalidade foi o cúmulo do realismo, onde os bad boys se dão melhor do que os mocinhos/mocinhas.