January 2009


Love GuruFazia tempo que não via um filme tão ruim. Mas ruim mesmo. Assim, daqueles que nada, absolutamente nada se salva. Tudo bem que Mike Meyers nunca foi uma sumidade da comédia mas ele teve certos lampejos com Wayne’s World (que aqui foi ridiculamente traduzido para Quanto Mais Idiota Melhor – 1992) e curtia muito ele no Saturday Night Live mas desde o terceiro Austin Powers ele está descendo a ladeira.

Este filme porcaria conta a história de um guru capitalista que sonha em ser o novo Deepak Chopra, o mestre de livros de auto-ajuda e vê sua grande chance de sucesso ajudando um jogador de Hóquei no gelo que cai de rendimento depois que sua mulher o abandonou pelo goleiro do time adversário (ninguém menos que Justin Timberlake). Daí segue a história sem sentido algum.

O que me impressiona é o elenco do filme. Tudo bem, Justin Timberlake é novato, está querendo entrar no ramo então aceita essas coisas, como fazer um papel de um canadense chamado Jacques “LeCoq” Grande. Se você acha esse trocadilho infeliz, fica tranqüilo; tem vários pelo filme, todos altamente sem graça. Agora Jessica Alba? Ben Kingsley? Realmente neste caso o dinheiro deve ter sido bom. Mas bom mesmo pois um ator que fez o papel de Gandhi interpretar um guru indiano vesgo que aparece fazendo xixi em um pote é demais para mim.

Não sei o que posso mais falar do filme. Não tem sentido, não tem conteúdo, não tem nada. Algumas músicas boazinhas e só. Posso listar, por outro lado, várias iditioces sem graça, como um jantar romântico onde o prato principal gira todo ao redor do tema pênis. Fica nisso por uns bons 10 minutos. Outra coisa, agora todo filme do Mike Meyers tem que ter o ator-anão Verner “Mini Me” Troy? Ele como técnico do filme de Hóquei no Gelo foi dose. Sei lá. Não tenho mais o que dizer além de lamentar ter perdido 87 minutos da minha vida vendo isso.

Se alguém aí assistiu esse filme e gostou de alguma piada, por favor, me diga que juro que vou tentar ver de novo só para ver se sou eu que estou azedo demais mas sinceramente é um filme totalmente dispensável, bem porcaria.

The Curious Case of Benjamin ButtonUma idéia interessante pode virar sim um filme morno. Não ruim, mas morno. Um elenco de 1a, um diretor visionário e efeitos especiais incríveis não fazem dessa história bem interessante algo inesquecível. O roteiro não é ruim mas é longo e ficou carente de uma mensagem.

O filme conta o curioso caso (como o título já diz) de Benjamin, que nasceu velho e vai rejuvenescendo ao longo da vida. Ponto. Não tem mais história. Lógico, até ele chegar à metade de sua vida (presumindo que ele “nasceu” com 80 anos) é divertido ver uma “criança” descobrindo as limitações da velhice.

O tempo todo eu assisti esse filme pensando: “caramba, me lembra muito Forrest Gump!”. O personagem de Pitt em nenhum momento se stressa, fica incrivelmente triste ou algo assim. É de uma passividade total ao que está acontecendo ao seu redor. Vive algumas situações incríveis mas leva uma vida normal, se não fosse o aspecto do rejuvenescer.

Sem dúvida a força motriz da história é o caso de amor de Benjamin com Daisy, que se conhecem criança e por aí vai (sem spoilers). Oras, o amor então só rola quando Benjamin vira o Brad Pitt? Quando ele é velho não presta? Isso para mim acabou incomodando muito, talvez porque já esteja indo para a curva do cabo da Boa Esperança, sei lá. Além disso peca pela falta de mensagem. É estranho. Durante o filme é dito que deve ser muito triste ver as pessoas que gostamos indo embora e nós ficando. Bem, isso acontece quando se é jovem também, não vejo a diferença. Se ele fosse imortal, tudo bem, eu entendo mas ele não é, apenas está seguindo o curso inverso, nada mais.

Por favor, não estou dizendo que o filme é ruim. Pitt está muito bem no papel. Se não tem emoção no personagem é culpa do roteiro e não de sua atuação. Os efeitos também são impressionantes assim como a qualidade de edição mas não adianta, o filme fica cansativo com os seus 167 minutos de duração.

Fiquei surpreso com a quantidade de indicação mas com o investimento e o casting que tem, se justifica. Vale a pena assistir mas mesmo querendo ser um Forest Gump (o roteirista é o mesmo), o filme não tem o mesmo apelo e não irei ver de novo.

Kung Fu Panda

Eu sou fãnzão de animação, seja tradicional ou 3D e curto quando dá para ver o quanto de pesquisa foi feito para a elaboração do filme. No caso deste filme, dá para ver que muito foi estudado e aparentemente o quão foi divertido trabalhar neste projeto.

O filme trata, como o título diz, de um Panda que sonha em ser um grande mestre de Kung Fu, como seus ídolos, os Cinco Furiosos.. Ele vê seu sonho se tornar possibilidade quando o mestre Shifu (será que traduziram de outra forma no Brasil?) se vê obrigado à treiná-lo para ser o Guerreiro Dragão, que vai defender a cidade do terrível Tai Lung. Logicamente, nada é tão simples assim e a partir daí a história se desenvolve.

O filme não tem um roteiro mesma profundidade que o Rei Leão, por exemplo. É bem direto e previsível para falar a verdade mas certos detalhes para quem curte a cultura chinesa saltam aos olhos. Todos os cenários parecem uma pintura oriental. A abertura do filme, onde Po (o Panda) narra uma aventura, é toda feita no melhor estilo animê, cheio de ação e contrastes. Até a vinheta da Dreamworks entrou na onda e está no estilo kung fu.Os Cinco Furiosos são animais que representam diferentes estilos de Kung Fu (garça, macaco, louva-deus, tigre e serprente) e Shifu quer dizer mestre em chinês.

As cenas de luta foram todas “coreografadas” por especialistas e como é em 3D, os ângulos da câmera são espetaculares, além de abusarem da câmera lenta. São excelentes e não são cansativas, o que é um ponto positivo. O que ficou devendo na verdade foi um certo aprofundamento dos personagens secundários, principalmente dos Cinco Furiosos, ainda mais se você levar em conta a galera que fez as vozes(Angelina Jolie, Seth Rogen, Jackie Chan, Lucy Liu e David Cross). O que tem mais profundidade é o mestre Shifu

AustraliaUm filme sobre a Austrália feito por australianos mas para o público em geral. Tem que se tomar muito cuidado para não parecer um filme do Ministério do Turismo ou então ser um filme que quem não for australiano vai ficar boiando. Esse filme quase foi pelo primeiro caminho.

Com quase três horas de duração (165 minutos), chega até a ter uma pausa de 10 minutos para o banheiro. Essa pausa divide o filme claramente em duas partes; a introdução de personagens estereotipados onde, por exemplo, o personagem de Hugh Jackman sequer tem nome! É chamado de Drover (traduzindo livremente, tocador de boiada) o filme inteiro, mesmo depois que Lady Ashley (Nicole Kidman) já é bem, digamos assim, íntima dele.

O filme começa com uma narração em off de Nullah, uma criança mestiça de aproxidamente 12 anos, filho de mãe aborígene e pai branco, que renega o filho. Como mestiço, ele deve ser levado para uma missão católica onde deverá ser reeducado para “tirar a negritude dele” e assim ser treinado para servir. Nullah vive na fazenda de gado do marido de Lady Ashley (Kidman) que aborrecida pela demora do marido em voltar para Inglaterra, resolve ir até essa terra “perdida” para ver o que está acontecendo.
Chegando lá, é escoltada por Drover (Hugh Jackman), um cowboy especializado em tocar boiada e essencialmente freelancer. Acontece que o marido de Lady Ashley é assassinado e ela resolve então assumir o rancho e tocar sua boiada até a costa, onde será embarcada para surprir o exército com carne, já que a guerra está começando (1939 é o ano em que o filme começa). Aconece que King Carney, grande pecuarista australiano, não quer que isso aconteça pois quer comprar o rancho de Ashley e fará de tudo para impedí-la de chegar.

Qualquer semelhança com o … E o Vento Levou é a mais pura verdade. Baz Luhrmann fez mundos e fundos para que esse filme saísse do papel. Produziu, escreveu e dirigiu este filme sempre com a idéia que fosse o épico definitivo de seu país. Utilizou fórmulas do clássico de 1939 como o choque de classes dos protagonistas, uma questão racial por trás e até uma guerra de pano de fundo. Sem falar é claro nas cenas grandiosas e trilha sonora de épico.

Se a primeira parte do filme se perde no “lugar comum” apresentando os personagens e chegando a ser um pouco cansativa, a 2a parte do filme é bem mais interessante, mostrando a mudança do personagem de Kidman da frívola aristocrata britânica para uma “mãe” preocupada com seu filho ao mesmo tempo com as pessoas ao seu redor. O ritmo do filme também acelera um pouco, deixando de lado a preocupação constante de grandiosas imagens das paisagens australianas (fique calmo, ainda tem na 2a parte mas pelo menos não é mais o tema central) e a trama se torna mais densa. O grande deslize do filme é a maneira com que trata a discriminação racial que os aborígenes sofreram. Ao mesmo tempo que critica veemente através dos personagens de Kidman e Jackman a discriminação que humilha os aborígenes, deixa a entender que eles têm poderes mágicos, podendo se tornar invisíveis ou estar presentes em todos os lugares. Oras, isso não deixa de ser uma forma de discriminação, tentando agora colocá-los acima de todos nós. Por que não ser apenas iguais, com cultura diferente? Isso é uma falha pois em certos momentos do filme, se tais “poderes” existem, eles bem que poderiam ter sido usados para poupar vários sofrimentos.

Luhrmann não poupa na cinematografia que realmente é maravilhosa. Ao mesmo tempo, mostra toda sua habilidade em close ups com uma das mais belas e sensuais cenas de beijos que já vi. A dedicação de Kidman ao projeto também é clara. Ela foi a responsável por Jackman participar deste filme, e aceitou participar do filme sem sequer ler o script. Todo o elenco está ótimo, inclusive o estreante Brandon Walters, como o “protagonista” do filme.

Talvez não tenha o impacto que … E o Vento Levou teve para o cinema mas é um épico que emociona e agrada, se você conseguir não ficar aborrecido com a primeira parte.

Mamma MiaMusical é para ser levado à sério? Essa é a primeira pergunta que faço. A segunda é; quando fazem um musical baseado em grandes sucessos de uma banda, você vai assistir porque curte a música ou quer ver algo totalmente inovador e diferente?

Para mim existe uma grande diferença entre um filme alegre e descompromissado e um filme idiota sem qualquer sentido.

Bem, vamos começar do começo. Eu nunca fui fã de ABBA mas logicamente, como qualquer pessoa que curte música, inevitavelmente conhecia alguns hits deles como Dancing Queen, Fernando, The Winner Takes it All e Waterloo. Quando visitei Estocolmo agora neste ano que passou, por coincidência o elenco original (de Londres) do musical Mamma Mia! estava lá para fazer uma semana de apresentação especial. Oras, para mim era inevitável ir assistir. Era como visitar o Rio de Janeiro e não ir a uma quadra de escola de samba, mesmo que você não seja super fã de samba. Depois do musical, entrei em uma fase ABBA total. No musical, os atores não tentavam interpretar a música, eles simplesmente cantavam e mesmo quando os arranjos eram um pouco diferente, eles cantavam com extrema qualidade. A história na peça é a mesma do filme mas como é um espaço limitado e praticamente todos estão ali na verdade para ouvir os sucessos, a história é o de menos e mesmo assim dá para dar umas risadas.

A história começa com a preparação para o casamento de Sophie, uma jovem que aproveita a ocasião para tentar descobrir o seu pai, já que sua mãe nunca contou para ela. Sua idéia brilhante é mandar convites para três homens que tiveram relações sexuais com sua mãe na época de sua possível concepção. Claro que todos eles aparecem e a partir daí começa a confusão envolvendo Sophie, sua mãe Donna, os três possíveis pais e mais duas amigas de Donna.

O filme já começa com uma grande desvantagem; não é ao vivo. O poder da música ao vivo é totalmente diferente. Tanto é verdade que até hoje vamos à shows de grandes bandas mesmo quando temos um super som em casa. Isso já gera uma pressão enorme no filme. Pelo o que entendi, o produtor tentou compensar isso com a escalação de um elenco de estrelas, como Maryl Streep e Pierce Brosnan. Aí entra o segundo e grande erro; eles não são cantores e sim atores! Enquanto na peça todos têm uma voz incrível e ainda atuam, no filme só tem a atuação. Por melhor que Meryl Streep cante, ela fica interpretando as músicas como se fosse uma cena para o Oscar. Isso acaba com o clima da música.

Para descolar da peça, a equipe toda foi à Grécia filmar as cenas externas, enquanto as internas foram filmadas no Reino Unido mas o enredo em si não segura o filme e tem certas coisas que não dá. Por favor, alguém pede para o Pierce Brosnan ficar de camisa e parar de cantar? Não dá de jeito nenhum para levar à sério e também não é uma comédia pois não tem piadas ou seja, fica perdido. Mesmo assim foi a maior bilheteria britânica de todos os tempos, batendo até Titanic (1997). Vai entender….

Posso me considerar agora um apreciador de ABBA (fã não hein?) e esse filme é morte para mim. Chato, não faz jus às músicas e totalmente infantilóide.

babylon_ad_ver2Copiar pedaços de filmes famosos quase sempre dá besteira. Nem contratando um diretor cult francês e um elenco internacional soluciona um roteiro porcaria como esse. De qualquer maneira, já estava esperando uma bomba. Antes de ser lançado, o diretor Matthieu Kassovitz recomendou às pessoas a NÃO assistir o filme pois este tinha sido todo modificado pelo estúdio e teve 70 minutos cortados da edição que chegou até nós. Oras, se o próprio diretor do filme fala isso, por que fui insistir, não?

O que sobrou foi uma colcha de retalhos insipirado no livro Babylon Babies do francês Maurice Georges Dantec conta a missão do (no livro diz) mercenário sérvio de um nome só Toorop escoltar uma “freira” (a bela Michelle Yeoh) e a jovem Aurora da Rússia à Nova Iorque. Logicamente a menina não é o que parece ser; talvez ela carregue um vírus mortal, talvez ela seja uma sumidade de inteligência, ou talvez ela carregue o novo messias na barriga. É muito talvez que não é explicado direito no filme. O filme tem um dos finais mais ridículos e relâmpagos que já vi. Muita pretenção para um filme que abre com um monólogo do Vin Diesel já dizendo que vai morrer. Tirando o design de cenário, que lembra muito Blade Runner, o filme não tem um roteiro que convence (adaptado pelo próprio Kassovitz), não tem ação descente e nem cenas de amor para pelo menos agradar alguns tarados de plantão.

O final é uma atração à parte. Depois de levantar várias suposições, o filme simplesmente acaba, com duas cenas entre fade ins e fades outs não explicando nada, só mostrando uns personagens e pronto. Reclamamos tanto dos filmes americanos que explicam tudo e não nos fazem pensar, este aqui faz exatamente o contrário, reslolve não explicar nada, deixar a gente no ar.

Perda de tempo total. Onde a carreira do Vin Diesel vai parar, hein? Ladeira à baixo.

Burn NoticeSeguindo a dica do meu amigo Gal, dei uma chance para esse seriado de espião, tipo já bem batido na TV, só perdendo hoje em dia para os de CSI e seriados de advogados. Sem dúvida foi um boa dica pois o seriado mistura muito bem ação, comédia e um estilo modernoso. O personagem principal, Michael Westen é um agente da CIA que foi demitido, ou melhor “queimado” (Burn Notice do título) e acaba por voltar para Miami, sua cidade natal para tentar descobrir quem é o responsável por isso. Para fazer um dinheiro enquanto investiga, ele se torna meio que um detetive particular, ajudando pessoas. Para isso ele conta com a ajuda da ex-namorada e ex-terrorista do IRA e um amigo que quer mais beber que outra coisa é vivido pelo cult Bruce Campbell da série de filmes Evil Dead.

Essa série tem o tipo de narrativa que curto; ao mesmo tempo que Westen ajuda pessoas diferentes em cada episódio, ele tenta descobrir quem está por trás da conspiração que o queimou. Isso faz com que a série ao mesmo tempo seja duradoura, ofereça histórias com início meio e fim. Além disso, o tom de comédia é na medida certa, prorporcionada pela falta de tato que o personagem principal tem em lidar com sua mãe e pelo personagem de Campbell, muito bem no papel do amigo que está meio que aposentado dessa vida de espião em Miami. (more…)