Cinemas Mundiais


Anjos e DemôniosSou fã de Dan Brown, curto muito os livros dele, não só os do personagem Robert Langdom como os outros também que seguem esse mesmo estilo de suspense/crime. É uma leitura leve e de entretenimento. Li o livro que deu origem à este filme uns 2-3 anos atrás então não me lembro perfeitamente dos detalhes mas me lembro claramente que achei mais interessante que o badaladíssimo Código DaVinci. Por isso fiquei com o pé atrás para assitir esse filme. Se o Código DaVinci me deixou com a impressão de que algo estava errado e não empolgou nada.

A história, com uma certa pitada de complexidade e com uma mensagem sobre o que é fé. Robert Langdon é convocado para ajudar ao Vaticano, que está sendo vítima de uma ameaça terrorista que pode mudar o futuro da igreja católica.

Eu confesso que tive uma ponta de esperança quando vi que Ewan McGregor iria fazer o papel do Camerlengo já que é um ator que admiro. Tom Hanks repete o papel de Landgon com a mesma característica; o nada. Não digo isso como um ponto extremamente negativo porque no livro mesmo sendo o personagem principal, não me lembro de grandes desenvolvimentos de personalidade ou algo assim. O ritmo desta vez está bom e não cansa e pelo que me lembro é bem fiel ao livro. Lógico, tem algumas alterações para encaixar, já que na verdade esse livro foi escrito antes do DaVinci e o Camerlengo é italiano e não britânico. As reviravoltas todas estão lá e por ter lido o livro acabou perdendo um pouco o impacto para mim.

A história é bem interessante, talvez não tão popular quanto o Código DaVinci mas mostra muitas das tradições e instituições da igreja católica que é bem legal de se ver. O melhor é o fato que o Vaticano todo teve que ser recriado em estúdio já que a equipe não teve permissão para filmar nas locações. Outro destaque sem dúvida é a trilha sonora excelente e marcante de Hans Zimmer, que conta com solos do virtuoso violinista Joshua Bell.

É um filme legal mas que sofre o peso do livro badalado. Está no mesmo nível de outros filmes no estilo “teoria da conspiração”. Ainda veremos pelo menos mais um filme, baseado no livro a ser lançado agora em novembro.

WolverineJuro que para agüentar a tentação de baixar o filme inacabado foi muito difícil mas resisti bravamente pois se existia um personagem solo da Marvel que eu queria ver um filme, este era Wolverine, sem dúvida. Este personagem está tão arraigado na minha cultura pessoal que até tive um gato com esse nome, para se ter uma idéia.

Eu acompanho o personagem desde os idos do final da década de 80 quando o argumentista John Byrne o fez esse cara com o charuto no canto da boca, pouco se importando com qualquer coisa. Quando saiu o primeiro filme dos X-Men e o até então desconhecido Hugh Jackman personificou perfeitamente o personagem, sempre ficou na minha cabeça que um filme solo seria uma ótima idéia. Aparentemente não fui só eu. Jackman sempre se disse grato ao personagem que o lançou para o mundo e  que faria de tudo para não só fazer um filme solo do Wolverine mas como fazer um fiel às origens. Como não acompanho mais gibis desde 93, não tenho como precisar se isso foi verdade, mas o que posso dizer que é um excelente filme de ação.

O filme faz o que o título se propõe; conta a origem do Wolverine, mostrando qual é a relação entre Wolverine e Dentes-de-Sabre e como ele se tornou a Arma X. Não vou nem desenvolver mais para não ser acusado de spoiler ou algo assim.

O filme superou as minhas expectativas. Eu não li os gibis Origens do personagem mas posso dizer que sei relativamente bem de seu background e  que não faltam são referências ao que Wolverine viveu nos quadrinhos. Adorei por exemplo quando ele soltou a frase de abertura da mini-série Wolverine, escrita e desenhada por Frank Miller (”Eu sou o melhor no que faço, mas o que faço, não é nada agradável).

Jackman domina o personagem. Ele é o Wolverine e isso não resta a menor dúvida. Dá para sentir a raiva e frustração através de sua interpretação. Com ele, Liev Schreiber também cai como uma luva como Dentes-de-Sabre. Como ambos são amigos na vida  real, a dinâmica dos dois em cena ficou ótima.

Por mais que o filme tenha vários elementos da mitologia do Wolverine, ele não é 100% fiel aos quadrinhos. Gambit aparece, Maverick não era oriental e outros detalhes. Isso de qualquer forma não afeta em nada o ritmo do filme, pelo contrário, A ação é constante e muito bem coreografada.

Sinceramente não vi nenhum defeito no filme. Faz o que se propõe contanto a origem do Wolverine, o mostra em ação constante inclusive usando as garras como nunca antes havíamos visto e ainda ajuda na mitologia mutante. Se você entrou no cinema para ver um filme de herói, vai sair plenamente satisfeito com o resultado. Ahh! E não saia do cinema antes dos créditos finais. Tem uma ceninha que irá agradar aos fãs do personagem mas será sem graça para quem não acompanhava os gibis. De qualquer maneira, tá incluso no preço do ingresso. :) Se você assistiu a versão inacabada, corra para o cinema e veja os efeitos terminados e os 20 minutos a mais de filme. Prometo que vale a pena.

[UPDATE] À título de curiosidade, Wolverine é um animal existente das florestas canadenses e em português tem o nome nada sonoro de Carcaju (ou Glutão). Ele é famoso por ser agressivo contra animais muitas vezes bem maiores que ele, atacando até ursos.

O renomado site Rotten Tomatoes publicou um Top 20 dos filmes da Marvel que chegaram ao cinema. Apesar do Wolverine não ter sido tão bem avaliado por eles, ainda assim é interessante relembrar clássicos como bombas que saíram dos quadrinhos para as telas.

Top 20 de filmes da Marvel segundo o Rotten Tomatoes.

milkConfesso que não estava muito animado para assistir esse filme por causa do diretor Gus Van Sant pois os dois últimos filmes dele deixaram a desejar. Sean Penn apesar de ser um ótimo ator, não chega a ser razão para me levar ao cinema e a história, por fim, não apelava muito para mim. Aí entra a máquina de propaganda que o Oscar é. Quando rolou a indicação para diversos prêmios, entrou na minha lista de filmes à serem assistidos. Quando o prêmio de melhor ator e principalmente, de melhor roteiro original foram para esse filme, foi direto para o topo.

Surpreendentemente o filme tem um ritmo excelente, me relembrando os bons tempos de Van Sant com Gênio Indomável (1997) e até Finding Forrester (2000). O filme já abre dizendo à que veio, mostrando o video original do anúncio do assassinato de Harvey Milk. A partir daí, vemos Milk gravando fitas exatamente por recear que seja assassinado. Nessas fitas, ele começa a contar sobre sua vida e assim o filme decola, anternando muito bem material de arquivo, a gravação das tais fitas e as cenas em si, tudo de forma bem integrada. Acredito que neste ponto entra o mérito do roteiro, muito bem amarrado mostrando todos os momentos relevantes da vida de Milk.

Da parte e Van Sant, o mérito é mostrar a vida de Milk e o movimento gay em São Francisco de maneira direta, sem exagerar no lirismo, que era um risco já que volta e meia que se mostra a cena gay, pode se ter a tendência de exagerar-se tudo, quando na verdade Van Sant mostra exatamente o que Milk sempre lutou; gay é igual à todo mundo.

Falando em Milk (a pessoa), estava ali na tela. É incrível como Sean Penn interpreta esse personagem. Fui pesquisar na internet umas fotos do Milk real e Sean Penn está o próprio. Uns amigos até comentaram que como foi que Sean Penn conseguiu disfarçar tão bem todos esses anos? Para mim um grande ator não precisa exagerar, mesmo quando o papel dá brecha para isso. Além dele, o elenco de apoio está muito bem, como Josh Brolin, mais uma vez fazendo um papel que luta entre ser contido/pivô de situações chaves, como foi no “Onde os Fracos não tem Vez” (2007) . Além dele, me surpreendeu Emile Hirsch e James Franco, cada vez mais se estabelecendo como bons atores.

Excelente filme biográfico e uma boa aula de edição, misturando inclusive um estilo documentário com um narrativo tradicional. Não deixem de assistir.

slumdog millionaireFazia tempo que eu não torcia tanto por um personagem no clímax final de um filme. Desde a primeira cena, onde aparece um texto pergutando ao espectador como um favelado consegue chegar ao topo de um programa de auditório, cortando dali para uma cena de tortura em uma delegacia prende a atenção do início ao fim.

Pois é, este é o filme. Um jovem favelado indiano, sem instrução que participa de um programa estilo Show do Milhão indiano. Acontece que ele chega até a última pergunta e aí ele é preso e torturado para confessar como conseguiu isso sem ter uma educação formal. Com isso, ele começa a contar a história de sua vida e como ele, o irmão e uma amiga de infância, e como é dura a vida de orfão nas ruas de Mumbai ao mesmo tempo que vai mostrando que sua história de vida que na verdade forneceu as respostas para todas as perguntas até aquele ponto.

O filme é excelentemente dirigido por Danny Boyle (Trainspotting, A Ilha, 28 dias Extermínio) em um ritmo que alterna com os dias de hoje e o passado do personagem principal. O filme tem um toque de Cidade de Deus mas o astral é mais para cima, mesmo nas situações mais tristes, não sei. Existe uma esperança sempre no ar, diferente do filme brasileiro.

Tudo no filme encaixa muito bem. O roteiro é ótimo, as atuações são perfeitas, a fotografia indiana é um brinde aos olhos e até a trilha sonora é deliciosa. Sem dúvida um dos filmes do ano e por enquanto o que estarei torcendo nos Oscars. Inclusive, já levou várias estatuetas do BAFTA,  o “Oscar” britânico.

The Curious Case of Benjamin ButtonUma idéia interessante pode virar sim um filme morno. Não ruim, mas morno. Um elenco de 1a, um diretor visionário e efeitos especiais incríveis não fazem dessa história bem interessante algo inesquecível. O roteiro não é ruim mas é longo e ficou carente de uma mensagem.

O filme conta o curioso caso (como o título já diz) de Benjamin, que nasceu velho e vai rejuvenescendo ao longo da vida. Ponto. Não tem mais história. Lógico, até ele chegar à metade de sua vida (presumindo que ele “nasceu” com 80 anos) é divertido ver uma “criança” descobrindo as limitações da velhice.

O tempo todo eu assisti esse filme pensando: “caramba, me lembra muito Forrest Gump!”. O personagem de Pitt em nenhum momento se stressa, fica incrivelmente triste ou algo assim. É de uma passividade total ao que está acontecendo ao seu redor. Vive algumas situações incríveis mas leva uma vida normal, se não fosse o aspecto do rejuvenescer.

Sem dúvida a força motriz da história é o caso de amor de Benjamin com Daisy, que se conhecem criança e por aí vai (sem spoilers). Oras, o amor então só rola quando Benjamin vira o Brad Pitt? Quando ele é velho não presta? Isso para mim acabou incomodando muito, talvez porque já esteja indo para a curva do cabo da Boa Esperança, sei lá. Além disso peca pela falta de mensagem. É estranho. Durante o filme é dito que deve ser muito triste ver as pessoas que gostamos indo embora e nós ficando. Bem, isso acontece quando se é jovem também, não vejo a diferença. Se ele fosse imortal, tudo bem, eu entendo mas ele não é, apenas está seguindo o curso inverso, nada mais.

Por favor, não estou dizendo que o filme é ruim. Pitt está muito bem no papel. Se não tem emoção no personagem é culpa do roteiro e não de sua atuação. Os efeitos também são impressionantes assim como a qualidade de edição mas não adianta, o filme fica cansativo com os seus 167 minutos de duração.

Fiquei surpreso com a quantidade de indicação mas com o investimento e o casting que tem, se justifica. Vale a pena assistir mas mesmo querendo ser um Forest Gump (o roteirista é o mesmo), o filme não tem o mesmo apelo e não irei ver de novo.

É possível sair coisa boa de um remake de um trash clássico dos anos 70? Bem, aparentemente sim.

Este remake do trashíssimo filme do mestre Roger Corman pode até pecar pelo enredo mais do que batido mas não deixa de ser um ótimo filme de ação. Jason Staham, nova sensação dos filmes de ação, encarna o papel de Frankenstein (que no original foi de David Carradine) como o grande piloto de corrida que cai em uma armação e acaba preso em uma prisão onde o maior evento é uma corrida mortal. Em um futuro não muito distante, com a economia americana em frangalhos, não restou alternativa ao governo a não ser privatizar todo o sistema penal.
Logicamnte, como toda boa empresa capitalista, o objetivo é maximizar os lucros, o que é feito através das transmissões das tais corridas. (more…)

Indiana Jones IVMeu Deus! Quanta expecitativa para ver esse filme! Depois de Star Wars, tenho certeza que não tinha outro filme que eu esperava mais que a continuação de Indiana Jones. Ao mesmo tempo, tinha medo de ser decepcionante como foi assistir a trilogia nova de Star Wars que o Sr. Lucas conseguiu frustrar todo e qualquer fã ardoso. Vale lembrar que o mesmo Lucas é o criador do personagem Indy e é o produtor executivo. Viria aí uma nova decepção?

Graças à Deus, não!

A essência do que fez a franquia Jones única está toda presente. Aparentemente Spielberg segura a onda do Lucas em querer explicar tudo o tempo todo. Desde à primeira cena, com o logo da Paramount transpondo para um cenário com o mesmo formato, como em Caçadores da Arca Perdida. Nossa, foi uma viagem no tempo. Quando Harrison Ford aparece, quer dizer, sua silhueta, colocando o seu chapéu, deu vontade de bater palmas, ainda mais sob a trilha sonora inesquecível de John Williams.

A linha temporal foi seguida. Sendo que agora Dr. Jones está mais velho e está mais dedicado ao meio acadêmico, curtindo a vida como herói da II Guerra Mundial. Em 1957 os inimigos mudaram; em vez dos nazistas, agora são os russos o adversário a ser batido, assim como as ameaças e objetivos foram atualizados para tal década. Enquanto durante a II Guerra os nazistas buscavam artefactos bíblicos para ganhar o conflito, os russos buscam a tal caveira de cristal do título para assim contrabalançar o poderio atômico americano. Além disso, a caça ao comunismo e o interesse por alienígenas, algo presente em 9 entre 10 filmes B daquela época.

Ford está melhor do que nunca. Parece que nunca perdeu aquele jeitão desleixado e agora mais envelhecido, o ar sem paciência está presente o tempo todo. Como não tem mais o pique de antes, neste filme conta com a ajuda de Mutt, um jovem rebelde (Shia LaBeouf, sensação do momento) que tem  surge em cena em uma clara homenagem à Marlon Brando no filme Wild One (1953). Apresentado os personagens (inclusive Cate Blanchet como uma bela vilã russa) o filme engrena aquele estilo clássico de matine dos anos 50 que inspirou todos os filmes,

O receio de ter alienígenas não se concretizou, pelo menos não de forma direta. O que incomodou um pouco foram certas cenas que quebram o encanto daquele “absrudo real” que sempre foi inerente  à série. Por favor, Tarzan foi um pouco demais. Tirando isso, o filme foi melhor que eu esperava e ainda teve um final gancho para um possível quinto filme.

É isso aí. Leve seus filhos e mostre quem foi realmente um herói de ação e mostre por que você, mesmo que por um breve momento, cogitou fazer faculdade de arqueologia.

Esse foi o primeiro filme inteiramente produzido pela própria Marvel, detentora dos personagens que são um sucesso no cinema (X-Men, Homem Aranha, Hulk (bem, esse nem tanto), Quarteto Fantástico), isso quer dizer que ela tinha o controle completo e não decepcionou. O filme é ótimo em todos os aspectos.
Como sempre digo aos meus amigos, tenham em mente que é um filme de AÇÃO, não é um candidato ao Oscar (pelo menos não na categoria de melhor filme), isso quer dizer que você tem que assistir com um espírito desarmado e tenho certeza que vai gostar.

O elenco foi muito bem escalado; não vejo ninguém melhor que o grande-ator-mas-problemático Robert Downey Jr. para viver o playboy-que-está-sempre-com-um-copo-de-whisky-na-mão Tony Stark, o verdadeiro Senhor da Guerra, produzindo armas de destruição em massa altamente tecnológicas. Até que um dia ele é seqüestrado e descobre que suas armas estão caindo em mãos erradas. A partir daí, ele resolve lutar para que isso não ocorra mais, desenvolvendo a armadura que o “transforma” em Homem de Ferro.

O filme começa eletrizante, com uma atuação divertidíssima de Downey Jr. Ajudado por um script dinâmico recheado de piadas velozes, você nem sente o tempo passar. Ele consegue passar todas as nuances do personagem que, como o próprio Stan Lee – criador do personagem dos quadrinhos – é inspirado na complexa personalidade do Howard Huges. Além dele, o elenco ainda tem grandes nomes como Jeff Bridges, Gwyneth Patrow e Terrence Howard.

Logicamente a armadura é um dos pontos altos; altamente realista, dá para acreditar que realmente ela possa existir já que o filme demonstra toda a evolução da criação da mesma e existe até uma certa lógica científica.

Como disse, sem uma boa história, nada disso interessaria e o filme é bom até o fim. Lógico que tem uns clichês, principalmente na batalha final mas de resto, é muito bom. O final é divertido e não saia antes do final dos créditos, tem uma cena extra ótima.


Elizabeth - Golden Age

Esse filme é uma verdadeira aula de história. Isso as vezes pode ser ótimo, ou chato pra cacilda. O filme alterna entre ambos os momentos. Sem dúvida alguma o filme tem dois pontos altos; os cenários/figurinos (que inclusive levou o Oscar) e Cate Blanchett. Ela está, mais uma vez maravilhosa no papel da Rainha Virgem. É bem legal ver Blanchett reprisando o papel que a lançou para o mundo há 10 anos atrás com tanta qualidade. Além dela, Geoffrey Rush e Clive Owen também estão muito bem no papel de coadjuvantes.

O que pega no filme é o passo dele. Ele é muito lento. Leva um tempão para engrenar. O diretor indiano Shekhar Kapur (que também dirigiu o anterior) demorou demais para chegar no climax da batalha naval entre Inglaterra e Espanha. Outro detalhe que me incomodou foi o fato de estereotipar a Espanha como vilã, chegando ao ponto de representar o Rei Felipe II quase como o Gollum da trilogia do Senhor dos Anéis, mancando, agarrado à um terço e falando sempre sussurando. Mesmo o visual sendo lindo, volta e meia ele me filma as costas de uma coluna, por favor, né?

Mesmo com esses detalhes, eu sou fanático por temas históricos e por isso o filme cativou a minha atenção. Talvez para uma pessoa menos interessada, vai ser um filme mais difícil de digerir. De qualquer maneira, vale pelo figurino, interpretação de Blanchett e a cena da batalha naval.

sicko_ver2.jpgMais um documentário polêmico do premiado Michael Moore. O tema da vez é o sistema de saúde americano, que não é de graça e gera fatos bizarros, como preços diferentes para cada reimplante de dedos, por exemplo.

Moore tem o mérito de colocar documentário como um gênero capaz de entrar no grande circuito. Antes dele, isso praticamente não existia. Sua linguagem é de fácil acesso e o uso da ironia faz com que você não sinta o filme passar. Neste filme, tais artifícios não valem para tornar o filme interessantíssimo. É um problema muito local. Nós temos problemas de saúde aqui também sinceramente não nos afeta em nada aqui. É interessante de saber mas nada para pagar um ingresso, estaria mais do que bom assistir no GNT.DOC.

Outro detalhe que me incomoda atualmente nos trabalhos de Moore é a panfletagem política. Parece que ele tem uma necessidade extrema de bater nos republicanos. Se no filme anterior pouco espaço havia para que os “acusados”tinham para se defender, neste, sequer 1 representante é entrevistado. Não é um descolamento do diretor do tema, ele fez o filme para “malhar” o sistema e ponto. Isso me incomoda quando se assiste um documentário. Eu acredito que sempre tem que se dar oportunidade para que ambas as partes sejam ouvidas. Nos seus trabalhos anteriores, havia ao menos uma (mesmo que leve) dúvida de quem seria a culpa de algo. Tiros em Columbine é o melhor dele para mim, assim como Roger e Eu, onde no primeiro ele tenta descobrir o que motivaram os garotos assassinarem seus colegas de escola e o segundo é sua busca pelo presidente da GM para cobrar explicações das demissões em sua cidade natal. As vezes tive a impressão que ele pegou o primeiro tema que viu para gastar o dinheiro que ganhou com o Farenheit 11 de setembro e aproveitou para viajar à Paris, Londres e Havana neste filme.

É um bom documentário, bem feito mas não vale os 11 reais do ingresso que não paguei.


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