Fri 13 Feb 2009
Não adianta, depois de assistir esse filme eu o encaro como O Campeão (The Champ – 1979) dos anos 2000. Para quem não curtiu esse clássico do xororô da sessão da tarde (”Vamos campeão! Levanta, vai! Fala comigo!” nossa, isso não da minha cabeça).
Assim como O Campeão, este filme conta a história de um lutador, neste caso de luta livre, que já foi alguém e agora está no fundo do poço e mostra sua vida cotidiana, hiper dramática. A história é só isso mas nem por isso quer dizer que seja ruim. Muito bem dirigido pelo Darren Aronofsky (Pi e Requiem para um Sonho), muitas vezes o diretor usa a figura de “linguagem” legal de colocar a câmera seguindo o ator, como se fosse um documentário e ao mesmo tempo como se fosse ele entrando no ring.
Sem dúvida Mickey Rourke está ótimo no papel mas não posso deixar de concordar um pouco com o Rubens Ewald Filho que deu um ataque de pití quando ele ganhou o Emmy de melhor ator. Se você transportar o ambiente de luta livre para o cinema, o personagem Randy é o próprio Mickey Rourke, o cara que teve tudo e foi ao fundo do poço.
Para quem não se lembra, Rourke foi um dos atores mais badalados do fim dos anos 80, emplacando seguidamente clássicos como Diner (1982), 9 1/2 Semanas de Amor (1986), Coração Satânico (1987) . Depois ele entrou numa que queria ser lutador de boxe, estropiou toda a cara e virou uma diva, reclamando de todos os convites para filmar que recebia.
Além da pena que o filme desperta de Rourke, é interessante ver o circuito B da luta livre, onde os caras apanham de verdade. Isso fica meio fora das críticas pois tudo é focado no dramalhão que é a vida de Randy mas ainda assim é bem interessante. Os elementos de drama estão lá; cara famoso que se agarra com unhas e dentes no passado, vive miseravelmente, tem empregos de segunda categoria e se apaixona pela mulher errada. Além disso tudo (aí difere do O Campeão), é um péssimo pai e vive sozinho, só se lembrando da filha quando a situação fica crítica.
É um filme comovente, de baixo orçamento, muito bem dirigido, interessante até um certo ponto, com ótimas atuações é uma trilha sonora rock n’roll dos anos 80, com direito à Sweet Child O’ Mine dos Guns N’ Roses e tudo, que assim como o Bruce Springsteen doou os direitos da música de graça pois o filme não tinha cacife para pagar.
Sinceramente não acho que Rourke mereça o Oscar por esse filme. Ele está muito bem, mas não precisou de nenhuma pesquisa ou desenvolvimento para o personagem, foi apenas se olhar no espelho.




